Eliza
Nem Inteligente, Nem Artificial
As pessoas estão se consultando com o ChatGPT.
E parece que funciona.
A pessoa frágil, de pijama, com o celular quente na mão, recebe exatamente o que precisa ouvir.
Palavras macias.
Abraço de código.
Alguém, ou algo, que nunca julga, nunca cansa, nunca vai embora.
Em um mundo onde o mal maior é a solidão. Afinal, quem ainda sabe ouvir?
Eu não sei mais.
O mal do século é a solidão.
Solidão que a gente disfarça de “tá tudo bem”.
Ter uma intimidade com uma máquina que nunca se conseguiu ter com ninguém de carne e osso.
Em toda a história do ser humano, chegamos ao ponto mais solitário de todos:
o instante exato em que nos desconectamos do nosso bando
e aparece um computador pra dizer, com voz calma e paciente:
“Você é maravilhoso.”
“Os outros estão errados.”
E a gente acredita.
Porque é mais fácil acreditar numa tela do que olhar nos olhos de quem a gente ama e ver que eles também estão cansados.
Ao longo dos anos, o ser humano vem sendo substituído
sem alarde, sem grito, sem cena dramática.
Aos poucos.
Como quem desaba sem fazer barulho.
E o pior é que
o silêncio só cresce.


